Quando eu era criança, íamos sempre à festas-gincanas da colônia japonesa chamadas de undokai ou undokay (undo=esporte, kai=reunião, encontro). Normalmente organizadas por associações japonesas onde as famílias se reuniam para participar de jogos e gincanas esportivas e se confraternizarem. Antigamente, cada família levava salgados e lanches (bentôs) que eram compartilhados com as famílias vizinhas. Tinha a tia que levava sempre inarizushi, a outra levava coxinhas e quibes, uma outra trazia tsukemono de pepinos e nishimê. Minha mãe levava sempre niguiri e uns espetinhos de carnes e legumes fritos (ela disse que comeu em algum lugar e resolveu fazer em casa). Esses espetinhos trazem alegres lembranças dos undokais:
(Para uma porção que serve 2 ou 3 pessoas)
5 bifes de patinho finos cortados em quadrados de 2 a 3 cm, já temperado a gosto.
1 cebola grande em cubos de 2 a 3 cm.
2 pimentões verdes em quadrados de 2 a 3 cm.
1 tomate em cubos grandes (só a poupa).
palitos de dente
massa de tempurá:
1 xícara de água gelada
4/5 de xícara de farinha de trigo
Para empanar e fritar:
farinha de rosca ou panko
óleo para fritar.
Monte os espetinhos nos palitos de dentes, intercalando os ingredientes e reserve.
Bata a água e a farinha ligeiramente (podem ficar grumos de farinha seca). O importante é que quando se coloca o dedo na massa, ele saia coberto por uma camada de massa homogênea e pegajosa, que não escorra facilmente. Passe os espetinhos na massa e em seguida empane na farinha de rosca e frite imediatamente em óleo até dourarem.
No improviso do piquenique coletivo, comíamos com shoyu, mas por ser uma fritura, acho que um molho ponzu casa bem com esses espetinhos. Acompanhe com um niguiri simples ou sirva como aperitivo.
Experiências na cozinha e no cotidiano, coisas que faço fora da cozinha e que fazem bem à alma, às papilas gustativas e aos olhos.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Caponatta à ma façon (ou antepasto à moda nipo-brasileira)

O nome da receita é só provocação, mas minha mãe pegou uma receita de caponatta da minha irmã e adaptou um pouco a preparação. Ficou dos deuses.
2 abobrinhas italianas em julienne
2 berinjelas japonesas em julienne e em conserva.
2 cebola grande em tiras
1 pimentão verde sem pele em tiras
1 pimentão vermelho sem pele em tiras
1 pimenta dedo-de-moça picadinha, sem sementes
azeitonas pretas ou verdes à gosto, sem sementes
alcaparras em conserva à gosto
passas brancas à gosto (opcional)
orégano seco à gosto
1 xícara de chá de azeite de oliva ou quanto baste para cobrir
sal e pimenta-do-reino à gosto
3 colheres de sopa de vinagre branco
Desidratação: a parte mais demorada do processo. Colocamos a abobrinha num tabuleiro e levamos ao forno para murchar bem. Repetimos o processo com as cebolas e depois com os pimentões. Faço em separado cada vegetal pois cada um tem um ponto de cocção diferente.
Deixe esfriar, disponha todos os vegetais numa vasilha com tampa, tempere com sal, pimenta, vinagre e orégano. Cubra com o azeite.
Dura uns 10 dias na geladeira, se não comerem tudo antes.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Tsukemono de nassu (conserva japonesa de berinjela)
Esta é uma conserva que normalmente se come com os niguiris (bolinhos de arroz glutinoso) ou o arroz branco. Super simples, porém saborosa e vegan.
2 beringelas japonesas em julienne ou tiras finas (tem sabor melhor, menos sementes e é super difícil achar bichinhos).
Pimenta dedo-de-moça picada ou calabresa a gosto (opcional)
sal o quanto baste
gergelim branco e negro tostados para enfeitar.
bacia de boca grande e resistente
prato raso
peso (pedra, panela de pressão cheia d´água)
As berinjelas oxidam facilmente quando cortamos e se coloca na água para evitar o escurecimento. No caso deste prato, elas vão escurecer mesmo e precisaremos desidratar o legume, então não há a necessidade de executar esse processo. Corte finamente e logo em seguida, coloque sal (aproximadamente 1 colher de sobremesa) e misture.
Disponha numa bacia forte e com bordas largas (do tamanho do prato), coloque o prato sobre o legume e o peso. Pode deixar em temperatura ambiente, em local fresco ou na geladeira para que o sal e a pressão drenarem a água da berinjela. Deixe por pelo menos 2 horas.
Com as mãos ou colocando dentro de uma gaze, esprema para retirar o excesso de água. Prove o sal. Não deve ficar salgado demais. Se isso acontecer, lave ligeiramente em água corrente e esprema novamente.
Misture a pimenta e enfeite com gergelim.
Essa conserva se mantem na geladeira por no máximo 4 dias.
2 beringelas japonesas em julienne ou tiras finas (tem sabor melhor, menos sementes e é super difícil achar bichinhos).
Pimenta dedo-de-moça picada ou calabresa a gosto (opcional)
sal o quanto baste
gergelim branco e negro tostados para enfeitar.
bacia de boca grande e resistente
prato raso
peso (pedra, panela de pressão cheia d´água)
As berinjelas oxidam facilmente quando cortamos e se coloca na água para evitar o escurecimento. No caso deste prato, elas vão escurecer mesmo e precisaremos desidratar o legume, então não há a necessidade de executar esse processo. Corte finamente e logo em seguida, coloque sal (aproximadamente 1 colher de sobremesa) e misture.
Disponha numa bacia forte e com bordas largas (do tamanho do prato), coloque o prato sobre o legume e o peso. Pode deixar em temperatura ambiente, em local fresco ou na geladeira para que o sal e a pressão drenarem a água da berinjela. Deixe por pelo menos 2 horas.
Com as mãos ou colocando dentro de uma gaze, esprema para retirar o excesso de água. Prove o sal. Não deve ficar salgado demais. Se isso acontecer, lave ligeiramente em água corrente e esprema novamente.
Misture a pimenta e enfeite com gergelim.
Essa conserva se mantem na geladeira por no máximo 4 dias.
sábado, 22 de agosto de 2009
Morokyu
Este prato é super simples e tradicional. Se usa o missô com pedaços de grãos, mas na falta, o missô comum (se tiver, do escuro ou médio) pode ser usado.
Pode ser servido como entrada ou salada e variar os vegetais.
Molho:
3 colheres de sopa de missô
2 colheres de sopa rasas de açúcar
3 colheres de sopa de suco de limão ou 2 colheres de sopa de vinagre de arroz
pimenta em pó ou pimenta em pasta à gosto (opcional)
Pepinos tipo japonês em palitos.
Misture todos os ingredientes do molho. Vai resultar num molho pastoso agridoce e picante. Sirva como dipp.
Podemos variar usando cenouras, vagens manteiga cozidas ao dente, couve-flor. Já li também sobre comer com abacate.
Pode ser servido como entrada ou salada e variar os vegetais.
Molho:
3 colheres de sopa de missô
2 colheres de sopa rasas de açúcar
3 colheres de sopa de suco de limão ou 2 colheres de sopa de vinagre de arroz
pimenta em pó ou pimenta em pasta à gosto (opcional)
Pepinos tipo japonês em palitos.
Misture todos os ingredientes do molho. Vai resultar num molho pastoso agridoce e picante. Sirva como dipp.
Podemos variar usando cenouras, vagens manteiga cozidas ao dente, couve-flor. Já li também sobre comer com abacate.
Tajine aux fèves (tajine de favas verdes)

Eu gosto de folhear livros, é uma mania. Esta receita vi num livro em francês de receitas árabes e nem lembro mais do título.
1,5 Kg de carne (o livro pedia coelho, mas com carne bovina ou de cordeiro fica bom) em pedaços.
1 Kg de favas verdes frescas ou congeladas
3 dentes grandes de alho picados
2 cebolas picadas
1 maço de coentro picado
1 pedaço (1 a 2 cm) de gengibre ralado
1 pitada de pistilos de açafrão ou 1 colher de sobremesa de curcuma
1 pitada de canela
sal e pimenta-do-reino à gosto
azeite de oliva
água o quanto baste
Faça um molho com o gengibre, sal, açafrão, canela, pimenta e um pouco de água. Envolva a carne nessa mistura e deixe pegar gosto por no mínimo 30 minutos. Eu tempero de noite para usar no dia seguinte.
Na receita original, eles mandavam arrumar a carne na panela fria com o azeite, salpicar o alho e cebola e cobrir com água e deixar cozinhar. Eu gosto de selar a carne, juntar o alho e cebola até murchar e depois cobrir com água. Cozinhe a carne até ficar bem macia.
Junte as favas e o coentro. Se necessário, acrescente mais água e cozinhe até as favas ficarem macias. Algo entre 30 a 40 minutos.
Acompanhe com arroz branco, pão árabe ou couscous de semolina.
1,5 Kg de carne (o livro pedia coelho, mas com carne bovina ou de cordeiro fica bom) em pedaços.
1 Kg de favas verdes frescas ou congeladas
3 dentes grandes de alho picados
2 cebolas picadas
1 maço de coentro picado
1 pedaço (1 a 2 cm) de gengibre ralado
1 pitada de pistilos de açafrão ou 1 colher de sobremesa de curcuma
1 pitada de canela
sal e pimenta-do-reino à gosto
azeite de oliva
água o quanto baste
Faça um molho com o gengibre, sal, açafrão, canela, pimenta e um pouco de água. Envolva a carne nessa mistura e deixe pegar gosto por no mínimo 30 minutos. Eu tempero de noite para usar no dia seguinte.
Na receita original, eles mandavam arrumar a carne na panela fria com o azeite, salpicar o alho e cebola e cobrir com água e deixar cozinhar. Eu gosto de selar a carne, juntar o alho e cebola até murchar e depois cobrir com água. Cozinhe a carne até ficar bem macia.
Junte as favas e o coentro. Se necessário, acrescente mais água e cozinhe até as favas ficarem macias. Algo entre 30 a 40 minutos.
Acompanhe com arroz branco, pão árabe ou couscous de semolina.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Iwashi no suzukê (sardinhas curtidas)
Esse prato me traz a lembrança da última refeição que meu avô materno fez em nossa casa antes de partir. Ele vivia com minha tia, mas veio passar uns dias conosco. Minha mãe sabia que era um dos pratos preferidos dele e fez.
Eu nunca tinha dado muita atenção, mas provei com ele e adorei, apesar de ser peixe (quando era criança não gostava muito de peixes e frutos do mar e a primeira vez que experimentei um sashimi foi aos 17 anos).
No feriado fui à feira e vi sardinhas bonitas e perguntei à mamãe se poderia me ensinar a fazer as sardinhas que o ditchan gostava. Pedi que o peixeiro que limpasse os peixes e fizesse filés.
Bem, a receita é de uma simplicidade tal, mas o resultado é super saboroso. Andei pesquisando na net e tem muita gente que consome como se fosse um sashimi com shoyu, wasabi e gengibre ou comem só com shoyu e cebolinha picada. Mas o que acontece é que ele é cozido com a acidez do vinagre do mesmo modo que os ceviches.
Os ingredientes são:
-filés de sardinhas limpas e sem pele (isso dá um trabalhinho, mas segundo meu avô, o namagussai - cheiro de peixe - vem da pele) e secas com papel absorvente para tirar o excesso de água de quando você lava o peixe.
- vinagre de arroz o quanto baste
-sal refinado o quando baste
Simplesmente salgue sem exageros dos dois lados dos filés de sardinhas, arrume num refratário e cubra com o vinagre. Caso o vinagre utilizado tenha alta acidez, dilua um pouco de água. Deixe na geladeira, tampada com filme plástico por no mínimo 6 horas. Minha mãe prefere bem curada e me ensinou que de um dia para outro já fica no ponto. A carne fica firme e esbranquiçada, como se tivesse sido cozida.
Temperei arroz japonês que foi cozido em água e temperei com uma mistura de água, sal, açúcar e vinagre de arroz. Fiz sushis e arrumei um filé de sardinha marinada sobre cada bolinho. Consumi como sushi, acompanhado de shoyu e wasabi.
Eu usei na verdade vinagre de vinho branco, pois qualquer vinagre claro serve para o preparo já que antigamente se usava o ácido acético diluído em água para preparar esse prato, bem como para temperar o arroz dos sushis. Hoje essa substância tem a venda controlada e ficou mais difícil comprar ao mesmo tempo que o vinagre de arroz ficou mais popular no Brasil. Eu prefiro o ácido, pois fica mais forte sem ficar aguado, principalmente para temperar o arroz do sushi.
Matei a vontade e aprendi a fazer um prato milenar japonês.
Eu nunca tinha dado muita atenção, mas provei com ele e adorei, apesar de ser peixe (quando era criança não gostava muito de peixes e frutos do mar e a primeira vez que experimentei um sashimi foi aos 17 anos).
No feriado fui à feira e vi sardinhas bonitas e perguntei à mamãe se poderia me ensinar a fazer as sardinhas que o ditchan gostava. Pedi que o peixeiro que limpasse os peixes e fizesse filés.
Bem, a receita é de uma simplicidade tal, mas o resultado é super saboroso. Andei pesquisando na net e tem muita gente que consome como se fosse um sashimi com shoyu, wasabi e gengibre ou comem só com shoyu e cebolinha picada. Mas o que acontece é que ele é cozido com a acidez do vinagre do mesmo modo que os ceviches.
Os ingredientes são:
-filés de sardinhas limpas e sem pele (isso dá um trabalhinho, mas segundo meu avô, o namagussai - cheiro de peixe - vem da pele) e secas com papel absorvente para tirar o excesso de água de quando você lava o peixe.
- vinagre de arroz o quanto baste
-sal refinado o quando baste
Simplesmente salgue sem exageros dos dois lados dos filés de sardinhas, arrume num refratário e cubra com o vinagre. Caso o vinagre utilizado tenha alta acidez, dilua um pouco de água. Deixe na geladeira, tampada com filme plástico por no mínimo 6 horas. Minha mãe prefere bem curada e me ensinou que de um dia para outro já fica no ponto. A carne fica firme e esbranquiçada, como se tivesse sido cozida.
Temperei arroz japonês que foi cozido em água e temperei com uma mistura de água, sal, açúcar e vinagre de arroz. Fiz sushis e arrumei um filé de sardinha marinada sobre cada bolinho. Consumi como sushi, acompanhado de shoyu e wasabi.
Eu usei na verdade vinagre de vinho branco, pois qualquer vinagre claro serve para o preparo já que antigamente se usava o ácido acético diluído em água para preparar esse prato, bem como para temperar o arroz dos sushis. Hoje essa substância tem a venda controlada e ficou mais difícil comprar ao mesmo tempo que o vinagre de arroz ficou mais popular no Brasil. Eu prefiro o ácido, pois fica mais forte sem ficar aguado, principalmente para temperar o arroz do sushi.
Matei a vontade e aprendi a fazer um prato milenar japonês.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Lúbia ou loubia (feijão verde à moda egípcia)

Esse prato é simples e muito saboroso e para os veggans de plantão, não vai carne nenhuma.
500 g de feijão verde escolhido, limpo e lavado.
água o quanto baste
1 tomate maduro picado
1 cebola grande picada
pimenta do reino
pimenta síria
cominho em pó a gosto
coentro em pó a gosto
sal
azeite
Taareya:
3 dentes de alho amassados
1 maço de coentro picado
Refogue a cebola até ficar bem dourada, junte o tomate e os temperos. Acrescente os feijões e cubra com água. Cozinhe até ficarem macios.
Taareya: eis um tempero típico dos egípcios. Quase todos os cozidos e sopas levam esse tempero que dá um sabor especial ao prato (molokhia, favas, cozidos, etc.). Mas é para quem gosta de coentro, pois vai muito. Consiste em fritar o alho até dourar e juntar o coentro e refogar até começar a murchar. Junte ao feijão e deixe apurar. Sirva com arroz com aletria.
500 g de feijão verde escolhido, limpo e lavado.
água o quanto baste
1 tomate maduro picado
1 cebola grande picada
pimenta do reino
pimenta síria
cominho em pó a gosto
coentro em pó a gosto
sal
azeite
Taareya:
3 dentes de alho amassados
1 maço de coentro picado
Refogue a cebola até ficar bem dourada, junte o tomate e os temperos. Acrescente os feijões e cubra com água. Cozinhe até ficarem macios.
Taareya: eis um tempero típico dos egípcios. Quase todos os cozidos e sopas levam esse tempero que dá um sabor especial ao prato (molokhia, favas, cozidos, etc.). Mas é para quem gosta de coentro, pois vai muito. Consiste em fritar o alho até dourar e juntar o coentro e refogar até começar a murchar. Junte ao feijão e deixe apurar. Sirva com arroz com aletria.
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