sexta-feira, 17 de abril de 2009

Lúbia ou loubia (feijão verde à moda egípcia)


Esse prato é simples e muito saboroso e para os veggans de plantão, não vai carne nenhuma.
500 g de feijão verde escolhido, limpo e lavado.
água o quanto baste
1 tomate maduro picado
1 cebola grande picada
pimenta do reino
pimenta síria
cominho em pó a gosto
coentro em pó a gosto
sal
azeite
Taareya:
3 dentes de alho amassados
1 maço de coentro picado

Refogue a cebola até ficar bem dourada, junte o tomate e os temperos. Acrescente os feijões e cubra com água. Cozinhe até ficarem macios.
Taareya: eis um tempero típico dos egípcios. Quase todos os cozidos e sopas levam esse tempero que dá um sabor especial ao prato (molokhia, favas, cozidos, etc.). Mas é para quem gosta de coentro, pois vai muito. Consiste em fritar o alho até dourar e juntar o coentro e refogar até começar a murchar. Junte ao feijão e deixe apurar. Sirva com arroz com aletria.

sábado, 28 de março de 2009

Amendoim açucarado

É aquele amendoim coberto de açúcar que quando a gente começa a comer, não pára.
A receita é da "tia da Vila Maria", super fácil de fazer, mas tem uns pulos do gato.
1 copo americano de amendoim cru e com casca (é o que vai dar a cor)
1 copo americano de açúcar cristal ou refinado
1 copo americano de água
1 pitada de bicarbonato de sódio.

Coloque tudo numa panela e misture. Leve ao fogo, mexendo de vez em quando. Lembre que é preciso açucarar.
E ele vai açucarar em duas etapas. A primeira, a calda virará um açúcar rosado e separado do amendoim. Em seguida, ele vai derreter de novo numa calda escura, no tom da pele de amendoim. Nesse momento vai precisar ficar mexendo bem e sempre para não queimar e para o açúcar envolver os amendoins e quando secar de novo e açucarar (dessa vez o açucarado ficará grudado no amendoim), é só desligar e jogar num mármore para esfriar.

O mesmo processo pode ser feito com coco em cubos e castanha de caju.

sábado, 21 de março de 2009

Chef do 3 estrelas


Mais uma vez o jovem chef Axel Manes veio ao Brasil especialmente para desenvolver um cardápio e treinar a equipe do buffet. Mais uma vez, comida impecável e simpatia do chef.....e eu estava lá de novo!

Delícia provar pratos requintados que antes nunca poderia degustar (já disse, me faltam $$$$$).
Joël Robuchon e o seu L´Atelier ostentam 3 estrelas do Guia Michelin e seus pratos e preços fazem jus a tal premiação.

A decoração requintada feita pelo Carlos Decorações dava a imagem do que seria degustado, numa decoração de antúrios raros, verdes e vermelhos em arranjos gigantescos e impactantes. Simplesmente lindos.

Entradas: Carpacio de namorado, sopa de melão rosa e grissinis de presunto de Parma, Peixe branco recheado de legumes crocantes, espuma de aspargos com salmão defumado (delicioso), Atum Vermelho com Vinagrete Leve de Manga e Abacate, creme de couve-flor com geléia de caviar (delicioso 2, mas na verdade eram ovas de salmão) e tarte de cavalinha parmezane e azeitonas pretas.

Pratos quentes: Conchigliones recheados de lagostines e salsão, frango sobre beringelas gratinadas, Filé mignon com um molho à base de vinho (não lembro do nome), Choux farci com ossobuco de vitela trufado (o melhor da noite), Robalo com massa (uma folha de massa multicolorida listrada com tintura de lula, beterraba, espinafre e massa pura) acompanhado com molho (leve e delicado, ressaltando bem o peixe).

Sobremesas: Esfera de Chocolate e Mouse de Avelã, Torta de Canela, original do Atelier M. Joel Robuchon (maravilhoso), Mousse de frutas exóticas com papillon de chocolate branco (linda apresentação) e Mil Folhas Parisiense com Frutas Vermelhas. Vale ressaltar que a parte de patisserie teve também a mão do chef patissier do buffet, Phillippe Soffietti.

Boas conversas com o pessoal do França e amigos, boa comida, um bom vinho e muito champagne Chandon. Conclusão: noite perfeita.

Dessa vez, o evento foi bem comentado na mídia. Vou colocar uns links para quem quiser ver e ler mais detalhes, porque eu fui para degustar e prestigiar essa casa onde temos vários amigos e não tirei foto nenhuma.
Glamurama
Wish Online, da Olga.
RG Vogue
Estadão
Gazeta Mercantil
Blog Petit-comite (ela tirou fotos lindas).
Galeria de fotos IG Gente

quarta-feira, 11 de março de 2009

Hortinha



Eu nasci e cresci na cidade. Mas sempre foi na periferia. Isso lá teve suas desvantagens, mas consigo ver algumas vantagens. Sempre tinha mato, terrenos baldios, pequenas chácaras que teimavam em sobreviver no meio da cidade que avançava. Eu adorava brincar com plantinhas, "caçar" insetos, roubar cana e admirar pequenas hortas. Até arriscava subir no pé de jabuticaba raquítico do vizinho. Minha mãe sempre gostou de plantinhas e me ensinou alguma coisa, que aprendeu com a avó dela, autodidata, que tinha uma linda horta no quintal, quando moravam no interior.

Moro praticamente no centro, mas numa casa. O meu quintal é todo revestido de piso, então todas as plantas (da minha mãe) estão em vasinhos.

Essa minha mania de cozinhar fez renascer esse meu gosto de mexer com plantinhas, em especial ervas e temperos. O. K., todo alecrim que cai na minha mão eu mato, coitado. Nunca vingou nenhum. Aliás, no feriado obriguei o marido a comprar mudinhas de temperos (orégano, alecrim - de novo-, tomilho, tomilho limão e sálvia). Morreram todas, uma a uma. :(

Mas a minha pimenteira está linda de morrer. Enorme. Todo ano fica carregada e ainda tenho pimentinhas da última "safra". Ela está plantada num vaso gigante que meu marido comprou no CEASA, e junto dele minha mãe plantou um hortelã que está lutando para sobreviver bravamente (eis outra erva que matamos sempre, eu e mamãe).

Há alguns meses atrás, para fazer o Orange Chicken, comprei um belo gengibre e sobrou bastante. A preguiça bateu, não quis fazer gari e minha mãe me contou que a avó dela, para conservar e ter sempre, enterrava o gengibre na terra.



E lá fui eu enterrar o resto do gengibre. Virou uma planta enorme e as raízes se multiplicaram. Agora brotou um botão, que vai virar uma flor. Estou super curiosa para ver. Mamãe disse que é linda, branquinha.
Agora tenho gengibre fresco todo ano e descobri que as folhas dão um toque suave também. Coloco em cozidos, sobre carnes para assar, enfim, estou inventando.


Vou esperar o outono e tentar comprar mudas de ervas de novo. As últimas torraram com o calor dos últimos tempos.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Tajine de boeuf au potiron et aux courgettes (tajine de carne com abóbora e abobrinhas)

Desde que descobri o mundo das especiarias adoro fazer comida com sotaque árabe. Esse prato é delicioso e fácil de fazer. Na versão original, precisamos de uma tajine (panela de barro com tampa cônica típica dos países da região do Magreb - Marros, Líbia, Argélia), mas podemos substituir por uma panela de pressão. A panela tajine é uma versão primitiva da panela de pressão, mas de cocção mais lenta.
Enquanto não compro a minha tagine, vou de pressão mesmo.
Devo acrescentar que me inspirei na Tasca da Elvira e outros blogs. Porém, ontem navegando pelo Orkut, encontrei uma receita postada pela Lu Farah que é muito parecida e eu não poderia deixar de citar, pois o post dela é antigo e certamente devo ter visto, pois sempre acompanho essa comunidade.
Serve 6 pessoas que comem bem se for o prato único, ou 10 se forem servidos mezes de entrada.
1 Kg de miolo de acém em cubos
1/2 abóbora japonesa (kabotchan) em cubos grandes
3 cebolas médias picadas
2 abobrinhas italianas em rodelas grossas ou palitos grossos
1 lata de grão-de-bico cozido sem a água.
1 tomate maduro picado
1 pedaço pequeno de gengibre ralado
1/2 maço de coentro picado
3 dentes de alho grandes picados
1 colher de sobremesa de has el hanout
1 colher de chá de coentro em pó
1 colher de chá de cominho em pó
1/2 colher de chá de sementes de erva-doce em pó (é só tostar levemente e pilar)
1 colher de chá rasa de curcuma ou pistilos de açafrão (eu pus os dois)
1 colher de chá de páprica picante
1 anis estrelado
pimenta calabresa a gosto
sal a gosto
azeite
caldo de carne ou galinha ou água quente o suficiente.

Acompanhamento: couscous marroquino com salsinha picada (siga as instruções da embalagem e por fim junte um punhado de salsinha picada antes de servir). Usei 500g de couscous seco que preparei conforme a embalagem.


Aqueça o azeite e frite as cebolas até dourarem. Separe 2/3 e reserve. Ao restante da cebola frita, junte metade do alho e deixe dourar, junte o gengibre e a carne. Sele a carne, junte o tomate e as especiarias, sal, um punhado do coentro picado e reserve o resto do coentro. Junte o caldo até cobrir, tampe a panela e cozinhe por 30 minutos.
Junte a abóbora, veja se o caldo cobre os vegetais. Se necessário, acrescente mais água e volte a cozinhar na pressão por mais 12 minutos.
Em outra panela, aqueça o azeite, doure o restante do alho e junte o restante do coentro picado. Refogue até começar a murchar.
Retire as abóboras e reserve.
Junte o refogado do coentro e o resto da cebola frita à carne. Prove o tempero. Coloque as abobrinhas e o grão-de-bico e deixe cozinhar até a abobrinha ficar al dente.
Coloque a carne num refratário de servir, arrume as batatas e abóboras cozidas por cima. (Se estiverem frias, cubra com papel alumínio e leve ao forno para aquecer, pois reservo elas para não acabarem se quebrando no processo de cozimento e monto o prato com os pedaços de abóbora por cima, pois quem não gosta, não pega).
Como é um prato bem condimentado, se alguma das especiarias não forem do agrado, diminua a quantidade ou retire do preparo.
Sirva com o couscous.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O que faço fora da cozinha..

Além de gostar de cozinhar, adoro trabalhar com as mãos. Desde pequena faço artesanato incentivada por minha mãe que também tem uma mão maravilhosa.
Dentre as várias técnicas que faço, atualmente estou montando pingentes para amarrar e enfeitar cortinas.
A técnica foi garimpada na net e entre livros especializados que fui achando sobre o assunto e agregada à uma noção que eu já tinha de macramê. Quase comprei um livro importado, mas acabei desistindo. Me deixei levar pela intuição (coisa de pisciana?) e acho que ficou um trabalho interessante.


São feitos em fio de seda e contas grandes de acrílico e algum detalhe em contas metalizadas.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Lugares para visitar: Bom Retiro (Parte I)

São Paulo é uma cidade multi cultural, como disse o africano Adeleke Ajiyobiojo no documentário Cosmópolis da Mutante Filmes (roteiro e direção: Camilo Tavares, Otávio Cury e Cói Belluzzo), "cada habitante da cidade carrega nas veias dois ou três continentes". Graças a isso, temos uma variedade imensa de restaurantes e lanchonetes que nos oferecem pratos de diferentes cantos do mundo.

Vou começar pelo bairro considerado o mais multi cultural da cidade e onde por coincidência moro e trabalho: Bom Retiro.

O Bom Retiro era no final do século XIX e início do XX, um "local de retiro" com chácaras onde os moradores da cidade vinham descansar nos finais de semana. Contava também com conventos (um deles hoje é o Museu de Arte Sacra, na Av. Tiradentes).

Passavam bondes e logo foi instalada a estação de trens, construída por ingleses e por isso o estilo inglês da construção, hoje a estação da Luz. Em razão desta estação de trem no bairro, os imigrantes que vinham de Santos começaram a se estabelecer por aqui, primeiramente os italianos e alguns poucos japoneses, que construíram um estádio de baiseball, perto da quadra da Gaviões da Fiel. Do início até metade do século XX vieram também os gregos.

Depois vieram os judeus de diversos pontos do mundo no início do século e em outra leva após a Segunda Guerra, principalmente da Europa, que tomaram conta do bairro até ser ocupado pelos coreanos. Os imigrantes mais recentes são os bolivianos, que fogem da miséria de seu país para costurar as confecções coreanas.

A presença judaica é forte, muitas propriedades ainda são de judeus e há muitas lojas, principalmente de tecidos. Na parte de comidas, ainda temos boas opções judaicas.

Vou começar falando dos amigos e ex-vizinhos Adi e Shoshana Baruch, donos do Adi Shoshi Delishop (Rua Correia de Melo, 206, tel. 3228-4774). Quando eu morava na Correia de Melo, todo dia passava lá para pelo menos comer à tarde os pavês ou o pudim de leite acompanhado de um expresso. As sexta-feiras mais frias são dias de se deliciar com o Tchulent, uma espécie de feijoada judaica com feijões brancos, galinha, carne de peito, cevadinha, batatas e kishque com schmaltz (tripa recheada com grãos e schmaltz=gordura de galinha). Mas não deixe de experimentar os varenikes (ravioles recheados com batata e cebola fritas), mish mash (patê de fígado de galinha com salada de ovos cozidos), os peitos de frango empanados com gergelim e fritos, a sardinha marinada e se nada disso apetecer, eles ainda preparam deliciosas massas italianas. E as sopas e suflês variados também, bem caseiros.

O serviço é super simpático com sistema de delishop (muitos pratos estão prontos na vitrine e são aquecidos no microondas a pedido do cliente), outros vêm das panelas na cozinha ou são finalizados/preparados ao serem pedidos.

Se quiser só um petisco, vá até a loja da mãe da Shoshana, a famosa Casa Bulgara (rua Silva Pinto, 356 e outros endereços, tel. 3222-9849), com suas campeãs burekas (segundo a Vejinha e Guia 4 Rodas). Essa rosca de massa folhada levíssima e crocante, leva vários recheios (carne com beringela, queijo, queijo com espinafre, carne, batatas, frango e o de gorgonzola) tradicionalmente salgados e agora também alguns doces. A casa fundada por dona Lona Levi é uma das maravilhas do bairro e quem quiser levar para casa, ela vende as burekas congeladas também. Ótima dica para quem não aguentar provar todos os sabores na loja, porque você vai querer experimentar todos.


Na Correia de Melo ainda, há a mais recente casa aberta com comidas judaicas, o Goody Chocolates (rua Correia de Melo, 123, tel. 3331-1288). É uma casa kasher, que serve além de chocolates, doces árabes (os donos são egípcios), tem serviço de um pequeno café e boulangerie.



A loja de outro amigo também não poderia faltar: a Doceria Burikita (rua Três Rios, 138, tel. 3227-2654). O David tem as burikitas (salgadinhos folhados crocantes com recheios de queijo e de batatas) e os maravilhosos doces como o gerbô, rocambole de figo com nozes, bolos diversos e se for época, os doces de morangos são divinos.

Falando em petiscos, não poderia deixar de falar do faláfel da Malka (Rua Rua José Paulino, 345 - loja 23-A Galeria Nova José Paulino, tel. 222-2157 - 222-6057). Faláfel são bolinhos de grão-de-bico moídos com temperos e fritos, acompanhados de picles, salada de pepinos e tomates e molho taratour no pão árabe. Podem ser servidos no pão ou no prato. Além disso, a Malka serve kaftas e outros pratos com sotaque árabe-israelense.

A Casa Menorah (rua Guarani, 144, tel.3228-6105 ) é outro lugar antigo que serve o bairro com especialidades judaicas. É bem mais um empório, mas podem ser degustadas alguns itens, como as famosas empadinhas e beigales. Lá vocês encontram challá fresquinha (pão judaico), hering em diversas preparações, pão de celobas e vários produtos kasher.

Mais como curiosidade, vou citar o açougue kasher Mehadrin (Rua Prates 689) e a peixaria kasher, que virou também empório o Beny´s Kosher Fish & Appetizing (Rua Mamoré 214 ), que fica a duas quadras de casa, mas ainda não visitei depois de ter virado empório.

O Bom Retiro é muito mais que a Rua José Paulino e confecções com preços convidativos. É um bairro cheio de História e cultura que vale a pena ser visitado.