domingo, 1 de dezembro de 2013

Mexidão à moda japonesa

Como este blog é um caderno de receitas virtual meu, vou postar essa "receita" que experimentei outro dia e deu certo, para não esquecer. Não tem nome que eu saiba e nem conheço algum prato japonês parecido, é simplesmente um mexidão feito com ingredientes japoneses. Um arroz que pode ser comido sozinho ou com alguma "mistura".
Domingo à noite é horário de preguiça em casa. Não cozinho a não ser que seja uma ocasião especial. Pedimos comida pronta ou comemos o resto do almoço. Noutro dia não tinha sobra de almoço, somente arroz branco do dia anterior.
Fui buscar nos armários e geladeira alguma coisa para fazer rápido e brilhou a idéia. Quem quiser pode usar outros ingredientes e se der certo, me conte sua versão para eu experimentar também.

-arroz cozido (usei umas 4 xícaras)
-4 ovos
-1 aguê (tofu frito) picado
-1 punhado de wakame seco (aproximadamente 1/2 xícara de chá)
- hondashi
- shoyu
- açúcar
- sal
- pimenta do reino moída
- cebolinha verde picada

Leve o wakame ao fogo com 1 xícara de água, 1/2 colher de café ou menos de hondashi, uma pitada de açúcar e cozinhe até a alga ficar macia. Reserve.
Bata os ovos com sal e pimenta e jogue sobre o arroz na panela com óleo para refogar e misture. Ligue o fogo e vá mexendo de baixo para cima, com espátula de silicone ou colher de pau até ficar dourado, os grãos cobertos pelo ovo (ou faça um ovo mexido e jogue o arroz por cima, como fez minha mãe outro dia).
Junte o wakame (se sobrou um pouquinho de caldo, pode jogar também porque ele ficou com o umame da alga), o tofu, um fio de shoyu e teste se o sal está bom. Minha receita pára aqui, porque os ingredientes acabaram, mas se tiver tirinhas de peito de peru ou presunto, kani desfiado, resto de kimpira gobô (refogado de bardana japonês), um pedado de kamaboku picado, etc. podem incrementar o prato.
Polvilhe a cebolinha e mate a fome.
PS: vou copiar a Marisa Ono e classificar este aqui como "cozinha do desespero".

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Hamburger

Eu não sei se sou muito enjoada, mas não suporto hamburgueres industrializados desde que aprendi com o Luiz Paulo a fazer em casa. Não só o sabor e textura não me agradam, como já se falou por todas as mídias o quanto de gorduras, sal e outras cositas mais eles têm em sua composição que fazem mal à saúde.

Fazer em casa é fácil, só precisa modelar e grelhar. Sou purista em se tratando de certas coisas, hamburgueres são umas delas (e sushi, detesto sushi com cream cheese!). Tem de ser carne de boa qualidade moída e só. OK, confesso que eu faço uma receita com vegetais no meio para enganar o filhote e fazer ele comer legumes também, posto futuramente.

Gosto de maminha porque é um corte que já tem a gordura na medida certa na minha humilde opinião. Peço para limpar a peça e moer duas vezes. Modelo o hamburguer na mão, a espessura vai do gosto de cada um. Eu faço com mais ou menos 1 cm de altura porque aqui em casa nem todo mundo gosta ao ponto, preferem bem passado.

Passo óleo nos dois lados e grelho na frigideira seca e bem quente. Deixo uns 2 ou 3 minutos de cada lado aproximadamente.  Não vai sal, nem tempero nenhum na massa da carne. Tempero quando já está para tirar da grelha, aí não se perdem os sucos que dão umidade à carne. Só sal e pimenta (ou quando estou com espírito gourmet, flor de sal e mix de pimentas).

O sabor do sanduíche em si, segue a imaginação na montagem, desde um simples cheese burguer até uso de uma maionese caseira ou maionese de leite bem temperada, alface, rúcula, tomates, cebola, picles, queijos, cogumelos salteados, condimentos, chimichurri, etc. Os recheios não tem limites.

Gosto da maionese de leite porque sobre a receita básica, posso brincar com sabores, desde temperar com salsa e cebolinha, fazer um  molho tártaro ou uma maionese de alho. Uso a receita que peguei no Rainhas do Lar que sempre deu certo:

Maionese de Leite
200 ml de leite de caixinha (de preferência integral)
2 colheres(sopa) de suco de limão ou vinagre de sua preferência
sal à gosto
pimenta do reino à gosto
1 colher de(chá) de mostarda
óleo de milho ou girassol 

Coloque os 5 primeiros ingredientes no liquidificador e bata, juntando o óleo em fio aos poucos até conseguir a consistência de maionese. Deixe descansar na geladeira para ficar mais durinha e se quiser temperar como sugeri acima, acrescente o ingrediente no início.



terça-feira, 17 de setembro de 2013

Arroz de cebolas para peixes à moda egípcia

Eu achava esse arroz tão comum que nunca postei. Mas quando fizemos um almoço outro dia e a comida encomendada veio com pouco risoto, fiz rapidamente uma porção para não faltar comida.
Não é que o meu arroz de cebolas fez mais sucesso que o risoto do buffet badalado? Na verdade é outra receita da família do marido, para acompanhar peixes e frutos do mar.

Ingredientes:
4 xícaras de chá de arroz agulhinha lavado e escorrido
5 colheres de sopa de óleo ou azeite de oliva
8 xícaras de água fervente
1 cebola grande picada
1/2 xícara de chá de amêndoas em lâminas torradas
sal o quanto baste

Frite as cebolas na gordura até ficarem bem caramelizadas, mas sem queimar. Junte o arroz e frite bem, como o preparo do arroz-nosso-de-cada-dia. Junte a água, acerte o sal e deixe cozinhar normalmente.
Na hora de servir misture as amêndoas. Pronto, só isso mas fica muito saboroso.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Abóbora à Moda Marroquina

Não sei se já existe essa receita, mas resolvi dar um sotaque diferente à kabotchan e saiu uma mistura gostosa. Aproveitei a harissa para dar um toque especial, mas pode temperar com especiarias que fica um sabor bem parecido e delicioso também. Seguem as duas versões:

Com harissa:
-4 xícaras de abóbora kabotchan picadinha ou se preferir fazer um purê, corte em cubos grandes mesmo.
-1 colher de sopa cheia de harissa ou mais se desejar.
-sal a gosto
-água o quanto baste.
-azeite de oliva e.v. o quanto baste
Simplesmente leve tudo numa panela ao fogo e cozinhe até a abóbora ficar bem macia. Desligue o fogo e regue um fio de azeite a gosto.

Com especiarias:
-4 xícaras de abóbora kabotchan picadinha ou se preferir fazer um purê, corte em cubos grandes mesmo
-1 dente pequeno de alho amassado
-1 colher de café cheia de cominho em pó
-1 colher de café cheia de coentro em pó
- 1/2 colher de café de cúrcuma em pó
- 1 pitada  de pimenta caiena (ou outra pimenta picante) ou páprica picante
-sal a gosto
-água o quanto baste.
-azeite de oliva e.v. o quanto baste

Em um pouco de azeite doure ligeiramente o alho, junte a abóbora e os outros temperos e deixe cozinhar até ficar macio.

Pode servir pedaçudo ou fazer um purê. É delicioso como acompanhamento ou até mesmo o prato principal para os vegetarianos.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Harissa

Há algum tempo atrás, o René, um amigo da web me perguntou se conhecia uma receita de um molho de pimenta típico dos países da região do Magreb (Tunísia, Marrocos e Argélia basicamente) chamado harissa. Respondi que só conhecia ele pronto (da marca da foto abaixo) e não tinha a receita.
Pesquisei e achei algumas variações na quantia de ingredientes, mas eles basicamente eram pimenta vermelha piri piri (típica desses países), alho, azeite de oliva, alcaravia, coentro e sal. A que me pareceu mais interessante foi a seguinte:
250g de piments rouges séchés (pimentas vermelhas secas)
1 gousse d'ail (1 dente de alho *PS: eu acho que vai mais dentes de alho, vi noutro lugar com 4 dentes)
1 cuillère à café de coriande moulue (colher de café de coentro moído)
1 cuillère à café de carvi moulu (colher de café de cominho moído)
1 cuillère soupe de sel fin (colher de sopa de sal fino)
huille d´olive (azeite de oliva o quanto baste)

Bata tudo no processador, acrescentando o azeite para dar um ponto de patê.
Achei no blog da Elvira´s Bistro uma receita que me parece muito boa também e onde usa pimenta malagueta. 
Mais tarde testei uma receita que o René me passou de um chef amigo dele que tem um famoso restaurante de comida turca em Sampa, por isso não vou revelar a receita, mas digo que é muito parecida com a receita em francês, só acrescida de mais alho e usa pimenta dedo-de-moça fresca.


A harissa é um molho de pimenta saboroso e aromatizado. Serve para temperar carnes (de boi, cordeiro, aves), vale colocar até no ovo estrelado que dá outra cara ao prato. Acompanhar o couscous marroquino ou um tajine é imprescindível. A Fabrícia do Sopa Vermelha é casada com um tunisiano e tem ótimas receitas com o molho.
Mas cuidado, é um molho poderoso na ardência. 
Conserve na geladeira com uma camada de azeite cobrindo bem a mistura para não mofar. 

domingo, 11 de setembro de 2011

Cerkez Tavugu ou Frango Circassiano


Esse é um prato da região norte do Cáucaso que foi invadida pelo império Otomano e posteriormente União Soviética e hoje é considerado típico da Turquia. Pelas mãos dos otomanos, essa receita se espalhou por todo o império turco, sendo considerado prato "chique" no Egito (chama-se charcaseia) e outros países árabes por ser servido em épocas festivas.
Trata-se de um tipo de patê de frango com nozes picante e muito saboroso. Como meu marido conhecia o prato na denominação egípcia, foi difícil encontrar a receita, que só achei em sites de comida turca e apesar de tudo é fácil de fazer e é uma opção diferentona para preparar um frango.
Ingredientes:
1 peito de frango grande temperado a gosto.
3 dentes de alho amassados
1 copo americano de nozes finamente picadas ou moídas.
3 a 4 fatias de pão amanhecido esfarelado (pão francês ou italiano são os ideiais).
azeite de oliva e.v.
óleo de pimenta ou pimenta caiena o quanto baste
sal a gosto
água o quanto baste.
salsinha picada para decorar.

Acompanhamento:
pão árabe/pita

Eu usei um tempero árabe/turco chamado harissa e sal para temperar o peito de frango em pedaços de véspera e cozinhei em água até ficar macio ou tempere à gosto e cozinhe. Desfie finamente e reserve junto com o caldo do cozimento.
Misture o frango, alho, pão e nozes e vá acrescentando o caldo aos poucos para formar um patê cremoso, graças aos óleos das nozes. Acerte o sal.
Misture o azeite com a pimenta caiena e regue a pasta. Decore com salsinha.

Sirva como mezze com pão árabe torrado.

Fontes que pesquisei:
http://www.turkishcookbook.com/2005/07/chicken-with-walnuts.php



http://oneperfectbite.blogspot.com/2009/05/circassian-chicken-cerkez-tavugu.html

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Taameya ou simplesmente, Faláfel

Taameya ou faláfel como é mais conhecido no Brasil é um primo ancestral do nosso acarajé.
Um parentesis: é uma teoria minha e já li que algumas pessoas também desconfiam que muito dos pratos típicos do Brasil, especificamente do Nordeste são influenciados pela culinária árabe. Não só o faláfel/acarajé, mas temos também o cuzcuz de milho nordestino feito no vapor e o couscous marroquino (semolina de grano duro também feito no vapor), o uso de temperos como o coentro, do cominho em profusão, etc. Mudam-se alguns ingredientes que não eram encontrados em terras tupiniquins e adaptaram as receitas, trazidas por viajantes e principalmente por escravos, muitos dos quais eram mulçumanos oriundos da região do Sudão Central (os aqui chamados malês), não coincidentemente um dos locais que se presumem que seja a origem da receita do faláfel.
Enfim, essa receita que apresento é uma versão egípcia(sudanesa e iemenita) que é feita com grão-de-bico e também com favas e lá eles chamam de taameya. Mesmo no Egito há duas versões principais: do Cairo e da Alexandria, cuja diferença é que este último é picante. Fiz uma alteração na proporção dos grãos, pois no Egito usam 50% de favas e 50% de grão de bico. No primeiro teste que fiz nessa proporção original, depois de frios os bolinhos ficaram muito duros. Nessa proporção apresentada abaixo estão macios mesmo frios.
No Brasil, Israel e Líbano, o faláfel é feito somente com grão-de-bico. A versão com favas fica mais leve e saborosa em minha opinião.
Podem fazer no processador, mas o tradicional é feito com moedor de carne, mas como nem todo mundo tem um...
Ingredientes:
1/2 Kg de grão-de-bico seco
1 + 3/4 xícaras de chá de favas secas
1 maço de salsinha
1 maço de coentro fresco
1/2 maço de cebolinha
1 cebola grande em cubos grandes
2 dentes de alho inteiros
1 colher de sopa cheia de coentro em grãos
1 colher de sopa de cominho em grãos
1 colher de sopa cheia de sal
pimenta caiena à gosto
4 colheres de sopa de gergelim
De véspera, deixe 18 horas antes as favas de molho em água e 12 horas o grão-de-bico antes de usar (muita água para crescer bem e amolecer). No dia seguinte, depois dos grãos incharem bem, escorra a água. Guarde 1 xícara de chá dessa água.
Simplesmente coloque tudo no processador e moa bem até os grãos ficarem em pedacinhos bem pequenos ou passe no moedor de carne por três vezes para amalgamar bem os ingredientes. No final, vá juntando a água do demolho aos poucos para obter uma massa com consistência de areia molhada, úmida o suficiente para ser moldada, mas não encharcada.
Use o moldador para faláfel ou faça pequenas bolinhas achatadas (não faça muito grande, senão vão ficar cruas por dentro). Frite em óleo quente até dourarem.
Acompanhamentos:
Há uma variedade grande de acompanhamentos, pois é uma receita de vários países, mas o tradicional são salada camponesa, picles, molho taratour e pão árabe. Se quiser são ótimos acompanhamentos também: chucrute, berinjelas em tirinhas fritas bem sequinhas, picles de berinjelas, molho de pimenta e até batatas fritas estilo francesas.
Salada camponesa: pepino japonês em cubinhos, tomates em cubinhos, sal, suco de limão e azeite.
Montagem: aqueça o pão para facilitar abri-lo ao meio e coloque alguns bolinhos de taameya, molho, salada, picles, beringela frita, bolinhos, molho, etc. até  encher o pão, sem exagerar, senão vai desabar tudo. Em média são 6 bolinhos por sanduíche.
Se quiser fazer do jeito da Alexandria, seja mais generoso com a pimenta caiena para ficar bem picante.

A massa crua pode ser congelada, mas não acrescente a água do demolho. Quando for usar, deixe pelo menos 8 horas na parte de baixo da geladeira. Acrescente água filtrada para conseguir o ponto para moldar.

A foto acima é do modelador de faláfel que meu marido comprou na rua 25 de Março sobre uma caixa de preparado para faláfel que não chega nem perto desta receita, mas quebra um galho se você não quiser ter trabalho.

Usei um grão-de-bico grande, importado do México que é mais macio e fava branca miúda libanesa, mas nada impede de usar o nacional, inclusive no Egito eles usam as favas grandes, tipo moeda. Só é necessário deixar de molho um pouco mais de tempo para amolecer bem.